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Sintomas e causas das varizes: como reconhecer e o que as agrava

Sintomas das varizes e o que os distingue de pernas cansadas normais: causas, fatores que agravam, quando deixa de ser estético e sinais que exigem médico.

Fim do dia
momento em que a queixa de peso nas pernas é mais descrita
≥ 3 mm
diâmetro que classifica a veia dilatada como variz (CEAP C2)
C3
classe em que aparece o edema de origem venosa — deixa de ser questão estética
Autor: Redação Pernas Leves Atualizado: 23 de agosto de 2026

Sintomas e causas das varizes: como reconhecer

Resposta curta: os sintomas mais frequentes das varizes são peso e cansaço nas pernas ao fim do dia, dor, inchaço do tornozelo, cãibras noturnas, formigueiro, dormência e comichão. A causa é sempre a mesma: as válvulas dentro das veias das pernas deixam de fechar, o sangue reflui, a pressão dentro da veia sobe e a veia dilata. O que distingue estas queixas de um cansaço normal é o padrão — pioram ao longo do dia e com tempo parado de pé, e aliviam com a perna elevada e com o movimento.

Há um detalhe que confunde muita gente: os sintomas não acompanham o tamanho das veias. Uma perna com veias muito salientes pode não doer. E uma perna sem nada visível pode ter queixas reais, todos os dias, ao fim da tarde. Se ainda não leu o que são varizes e como se classificam, comece pelo guia completo sobre varizes; esta página trata da parte que se sente.

Fim do dia
momento em que a queixa de peso nas pernas é mais descrita
≥ 3 mm
diâmetro que classifica a veia dilatada como variz (CEAP C2)
C3
classe em que aparece o edema de origem venosa — deixa de ser questão estética
39,7 % / 32,2 %
prevalência de varizes em homens e mulheres, Edinburgh Vein Study

Quais são os sintomas das varizes?

Os sintomas venosos das pernas mais descritos são o peso, o cansaço, a dor, o inchaço, as cãibras noturnas, a dormência, o formigueiro e a comichão. Em conteúdo de saúde português, cãibras noturnas, dor, dormência, comichão e inchaço nos pés surgem listados como os sinais que afetam a qualidade de vida (iol.pt).

Sintoma Como costuma ser descrito Quando aparece
Peso nas pernas «pernas pesadas», como se pesassem mais Fim do dia, após horas de pé
Cansaço Pernas cansadas sem esforço que o justifique Após horas de pé ou sentado
Dor Difusa, ao longo da perna, não num ponto Ao longo do dia, alivia deitado
Inchaço do tornozelo Marca da meia na pele, sapato apertado Ao final da tarde
Cãibras noturnas Contração dolorosa da barriga da perna À noite, durante o sono
Formigueiro e dormência Sensação de «má circulação» Depois de muito tempo sentado ou em pé
Comichão Na pele por cima da veia dilatada Variável

Em Portugal, a queixa é quase sempre formulada como «pernas pesadas», e é essa a expressão usada tanto por marcas farmacêuticas como por portais de saúde (Daflon PT). «Má circulação nas pernas» é a outra formulação comum, e reúne o formigueiro, a dormência e a sensação de peso sobretudo após longos períodos sentado ou de pé (Loja Ortopédica).


Como distinguir pernas cansadas normais de sintoma venoso?

A diferença está no padrão, não na intensidade. Cansaço muscular normal aparece depois do esforço e passa com repouso. A queixa venosa é outra coisa: segue o comportamento do sangue dentro da veia, acumula-se ao longo do dia com a pessoa de pé e alivia assim que a gravidade deixa de trabalhar contra.

Pergunta Mais sugestivo de causa venosa Mais sugestivo de causa muscular
Quando piora? Ao longo do dia, ao fim da tarde Logo após o esforço
O que agrava? Estar parado de pé, viagens longas Treino, caminhada longa
O que alivia? Elevar as pernas, andar Repouso, alongamento
Está em ambas as pernas? Frequentemente sim, com assimetria Depende do esforço feito
Há inchaço do tornozelo? Frequente ao fim do dia Raro

O motivo pelo qual o movimento alivia está no mecanismo do retorno venoso. Segundo a American Academy of Family Physicians, o sangue sobe das pernas graças a três fatores: a bomba muscular da barriga da perna, o movimento e a integridade das válvulas (AAFP, 2019). Estar parado de pé retira dois desses fatores ao mesmo tempo — o músculo não contrai e não há movimento —, deixando o sistema dependente apenas de válvulas que já estão a falhar.


O que causa varizes?

As varizes são causadas por incompetência das válvulas venosas. As veias das pernas têm válvulas unidirecionais que impedem o sangue de refluir por gravidade; quando falham, o sangue reflui e acumula-se, a pressão dentro da veia aumenta — hipertensão venosa — e a veia dilata-se progressivamente (StatPearls/NCBI).

O mecanismo é sempre este, seja qual for o fator que o desencadeou: falha valvular, refluxo, dilatação. Sempre por esta ordem.

Compreender isto poupa dinheiro. A válvula está dentro da veia, sob a pele, o tecido subcutâneo e a parede vascular. Nenhuma substância aplicada por fora da perna lhe chega — e é por isso que a página sobre cremes para varizes separa o que alivia sintomas do que atua na causa. Nenhum creme atua na causa.


O que agrava as varizes?

Os fatores de risco documentados em revisões clínicas são história familiar de doença venosa, sexo feminino, idade avançada, aumento crónico da pressão intra-abdominal — obesidade, gravidez, obstipação crónica, tumor — e permanência prolongada em pé (AAFP, 2019). A esta lista, o StatPearls acrescenta o sedentarismo e a trombose venosa profunda prévia: o excesso de peso e a falta de movimento aumentam a pressão venosa e reduzem a eficácia da bomba muscular da barriga da perna (StatPearls/NCBI).

Fator Porque agrava O que é possível mudar
Trabalho de pé Anula a bomba muscular durante horas Micro-pausas com marcha, mudar o apoio de pé
Trabalho sentado Falta de movimento: a bomba muscular fica parada durante horas Levantar periodicamente, mexer os pés
Excesso de peso Aumenta a pressão venosa nas pernas Fator modificável, com efeito lento
Gravidez Prevalência de varizes relatada até 47% Ver página dedicada
Obstipação crónica Pressão intra-abdominal cronicamente alta Fator modificável
História familiar Predisposição das válvulas e da parede Não modificável — muda a vigilância
Idade Incidência sobe ao longo da vida adulta Não modificável
TVP anterior Deixa lesão valvular residual Não modificável — exige seguimento

Na gravidez, a prevalência de varizes foi relatada até 47% em estudos citados na literatura, associada também a história familiar positiva e a gravidezes anteriores (PubMed). O tema tem uma página própria sobre varizes na gravidez, porque as regras do que se pode usar mudam.

Sobre a pílula, uma nota de rigor. Um estudo transversal de 2025 observou associação entre uso de contracetivos hormonais orais e maior ocorrência de varizes nas participantes (PMC), mas um estudo transversal não estabelece causalidade e a amostra era regional. Está muito abaixo, em força de evidência, dos fatores da lista da AAFP.


Tenho as queixas mas não vejo veias. É possível?

Sim, e a classificação clínica internacional prevê exatamente esse caso. Na escala CEAP, cada classe leva uma letra: A de assintomática ou S de sintomática. C0S é a designação de quem tem queixas sem sinais visíveis ou palpáveis; C2A é o oposto — varizes bem visíveis sem qualquer sintoma (CEAP, StatPearls/NCBI).

Isto explica duas situações frequentes na consulta.

A pessoa com pernas muito marcadas a quem dizem que «não é nada» porque não dói. E a pessoa com pernas de aspeto normal, com peso e cãibras reais, a quem dizem que «não tem nada» porque não se vê.

Nenhuma das duas conclusões se tira a olho.


A partir de quando deixa de ser um problema estético?

A fronteira está na classe C3 da CEAP, quando aparece edema de origem venosa. A escala clínica vai de C0 a C6 (StatPearls/NCBI):

C0–C1
Sem sinais ou apenas derrames e veias reticulares (<3 mm)
C2
Varizes ≥3 mm
C3
Edema de origem venosa — inchaço do tornozelo
C4
Alterações da pele: pigmentação, eczema, lipodermatosclerose
C5–C6
Úlcera venosa cicatrizada ou ativa

A partir de C3 há repercussão sobre o tecido, não apenas sobre o aspeto.

E a direção natural da doença sem tratamento é para cima na escala. Segundo documento técnico da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o tratamento adequado pode refrear a progressão, ao passo que sem tratamento o risco de feridas extensas e de difícil cicatrização aumenta progressivamente (SBACV).

Isto não é motivo para alarme: a maioria das pessoas mantém-se em C1 ou C2 durante décadas. É motivo para não adiar indefinidamente a primeira avaliação, sobretudo quando o inchaço do tornozelo já é diário.


EmergênciaSinais de alarme: quando não é sintoma de varizes

Estas situações não se resolvem com meia, creme ou repouso.

Trombose venosa profunda (TVP). Inchaço de uma perna, pele quente ao toque, vermelhidão ou descoloração, veias superficiais dilatadas e, sobretudo, dor ou latejar persistente — em geral só numa perna, na barriga da perna. Nem sempre é assim: em cerca de metade dos casos os sintomas não são evidentes (Mayo Clinic). Nesta página, mais do que em qualquer outra, importa separar isto de uma cãibra: a dor da TVP não passa em minutos, é persistente e não melhora com alongamento nem massagem (Caprini Risk Score).

Ligue 112 imediatamente perante dor e inchaço na perna acompanhados de falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, tontura, desmaio ou batimento cardíaco acelerado — o conjunto aponta para embolia pulmonar, uma emergência com risco de vida (Mayo Clinic).

Hemorragia de uma variz. Primeiro deite-se, depois eleve a perna acima do nível do coração e só então aplique pressão direta e constante com um pano limpo, durante pelo menos 10 minutos e sem levantar para verificar. Se ao fim de 20 minutos de pressão mantida o sangue não parar, ligue para a emergência sem largar a pressão nem baixar a perna (PMC).

Úlcera venosa. Ferida aberta perto do tornozelo que não cicatriza — já é doença venosa avançada, classes C5 e C6, e pede avaliação médica: sem tratamento adequado, 50 a 75% destas úlceras demoram 4 a 6 meses a cicatrizar e pelo menos uma em cada cinco permanece aberta há mais de dois anos (SBACV).

Tromboflebite superficial. Uma veia logo abaixo da pele fica sensível ao toque, vermelha e inchada, por vezes com febre; acontece com frequência a quem já tem varizes (Cleveland Clinic). Peça avaliação urgente se a vermelhidão alastrar para a virilha ou o joelho, se a perna inchar mais ou se a dor piorar (Patient.info).


O que fazer com as queixas, na prática

As medidas com base no mecanismo da doença são poucas, e nenhuma custa muito.

Movimento. A bomba muscular da barriga da perna é um dos três fatores do retorno venoso segundo a AAFP, e só trabalha quando o músculo contrai. Quem passa o dia parado — de pé ou sentado — fica sem ela durante horas seguidas.

Elevação das pernas. Sem custo e sem produto: com a perna elevada, a gravidade deixa de somar pressão à veia. É também a explicação para parte dos resultados atribuídos a remédios caseiros, como se explica na página sobre tratamento caseiro para varizes.

Compressão. É a medida com melhor evidência no campo venoso. O instituto alemão IQWiG, que avalia tratamentos com o padrão metodológico da Cochrane, descreve o mecanismo: a pressão externa ajuda as válvulas venosas a fechar corretamente e acelera o retorno do sangue ao coração (IQWiG). A mesma fonte documenta o benefício na insuficiência venosa avançada e na cicatrização de úlceras venosas.

Uma ressalva, para não prometer de mais: a revisão Cochrane CD008819.pub4 concluiu que falta evidência de alta certeza para a compressão como tratamento inicial único das varizes já formadas (Cochrane). Ou seja, a meia ajuda os sintomas e o edema; não apaga as veias que já lá estão.


O que esta página faz — e o que não faz

Aqui encontra a lista de sintomas venosos com a origem clínica de cada afirmação, o padrão que os distingue de cansaço muscular, os fatores de agravamento ordenados por força de evidência, e a fronteira, na escala CEAP, entre questão estética e doença com repercussão.

Aqui não encontra um diagnóstico. Sintomas venosos sobrepõem-se aos de outras causas de inchaço e dor nas pernas — cardíaca, renal, articular, arterial — e essa distinção exige exame físico e, muitas vezes, eco-Doppler.

Se reconheceu o seu padrão nesta página, o passo seguinte é consulta, não compra.


Porque não publicamos um teste de autodiagnóstico

Não publicamos questionários do tipo «responda a 8 perguntas e descubra se tem insuficiência venosa». A razão é a mesma que atravessa toda a página: a classificação CEAP prevê explicitamente sintomas sem sinais visíveis (C0S) e sinais visíveis sem sintomas (C2A) (StatPearls/NCBI). Um teste baseado nas respostas do próprio erraria nos dois sentidos — e um resultado tranquilizador errado é pior do que nenhum resultado.

Também não pomos aqui uma escala de gravidade para o leitor se pontuar. A CEAP está publicada nesta página inteira, precisamente para que seja lida como informação e não usada como veredito.



Avisos

Aviso médico. Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Sintomas persistentes, assimétricos ou de agravamento rápido exigem avaliação por médico.

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Publicado a 22 de agosto de 2026. Última atualização: 22 de agosto de 2026.

Fontes utilizadas

  1. StatPearls/NCBI, insuficiência venosa e mecanismo valvular — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470194/
  2. StatPearls/NCBI, classificação CEAP — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557410/
  3. AAFP (2019), doença venosa crónica e fatores de risco — https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2019/0601/p682.html
  4. PubMed, varizes na gravidez e fatores associados — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16964695/
  5. PMC (2025), estudo transversal sobre contracetivos orais e varizes — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11790183/
  6. SBACV, insuficiência venosa crónica e úlceras — https://sbacvsp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/insuficiencia-venosa-cronica.pdf
  7. IQWiG / InformedHealth, efeito e uso das meias de compressão — https://www.informedhealth.org/effect-and-use-of-medical-compression-stockings.html
  8. Cochrane CD008819.pub4 (2021), compressão no tratamento inicial das varizes — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD008819.pub4/full
  9. Mayo Clinic, trombose venosa profunda — https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/deep-vein-thrombosis/symptoms-causes/syc-20352557
  10. Caprini Risk Score, TVP versus cãibra comum — https://capriniriskscore.org/news/early-warning-signs-how-to-tell-if-you-have-deep-vein-thrombosis/
  11. PMC, primeiros socorros na hemorragia de variz — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10993626/
  12. Cleveland Clinic, tromboflebite superficial — https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/17523-superficial-thrombophlebitis
  13. Patient.info, progressão da tromboflebite superficial — https://patient.info/heart-health/varicose-veins-leaflet/superficial-thrombophlebitis

Fontes de linguagem e descrição de sintomas em Portugal: Daflon PT — https://daflon.pt/pernas-pesadas-dor-nas-pernasdoenca-venosa-cronica · Loja Ortopédica («má circulação nas pernas») — https://lojaortopedica.pt/blog/ma-circulacao-nas-pernas/ · iol.pt (sinais nas pernas) — https://www.iol.pt/varizes/tornozelos-inchados/das-varizes-aos-tornozelos-inchados-os-5-sinais-nas-pernas-que-jamais-pode-ignorar · vascular.pro (formigueiro e dormência) — https://vascular.pro/circulacao-sinais-de-que-ha-algum-problema-varizes/

Perguntas frequentes

Porque é que as pernas ficam mais pesadas ao fim do dia?

Porque o sangue se acumula na perna ao longo das horas em que a pessoa está de pé ou sentada. Sem a contração muscular da barriga da perna, o retorno venoso perde um dos seus três fatores, e a pressão dentro da veia sobe. Elevar as pernas inverte temporariamente esse efeito.

Cãibras nocturnas são sinal de varizes?

Cãibras noturnas constam entre os sintomas descritos na doença venosa, mas não são exclusivas dela. O que exige atenção imediata é dor persistente numa só perna que não melhora com alongamento nem com massagem — esse padrão é sugestivo de trombose venosa profunda, não de cãibra.

Sinto formigueiro e dormência nas pernas. É má circulação?

Formigueiro e dormência são as palavras habitualmente usadas em Portugal para descrever sensação de má circulação, sobretudo após muito tempo sentado ou de pé. São sintomas inespecíficos: podem vir de causa venosa, mas também nervosa ou arterial, e é isso que distingue a consulta do palpite.

As varizes doem sempre?

Não. A classe C2A da CEAP corresponde precisamente a varizes visíveis sem sintomas. A ausência de dor não indica ausência de doença venosa, nem a presença de dor indica gravidade.

O calor agrava as varizes?

Muita gente descreve as pernas mais pesadas no verão, mas não encontrámos, nas fontes clínicas que usamos, um estudo que meça o efeito da temperatura sobre os sintomas venosos — por isso não o afirmamos aqui. O que está documentado como fator de risco é outra coisa: a permanência prolongada em pé sem movimento (AAFP, 2019).

Andar faz bem?

A bomba muscular da barriga da perna é um dos três fatores do retorno venoso segundo a AAFP, e depende da contração muscular. O que consta como fator de risco documentado é a permanência prolongada em pé sem movimento.