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Como avaliamos

Como o Pernas Leves escolhe e compara fontes sobre varizes, avalia a evidência, assinala incertezas e trata correções. Saiba também o que recusamos publicar.

Autoria: Redação Pernas Leves No ar desde: Revisto em:

Quem lê um site sobre varizes tem o direito de saber quem o escreve e com que critérios. Nesta página explicamos de onde sai cada afirmação, porque chegámos às duas conclusões mais incómodas deste site, o que recusamos publicar e o que fazemos quando algo sai errado.


ESVS, Cochrane e folhetos do Infarmed

Nem todas as fontes valem o mesmo. Usamo-las por esta ordem de prioridade:

  1. Revisões sistemáticas e meta-análises — sobretudo da Cochrane, que reúne e avalia todos os ensaios disponíveis sobre uma pergunta em vez de escolher o que dá jeito. É onde procuramos primeiro a resposta a "isto funciona?".
  2. Ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte, consultados no PubMed e no PMC, quando não existe revisão sistemática ou quando é preciso um número concreto — uma dose, uma duração, uma taxa de recidiva.
  3. Reguladores e institutos públicos — a EFSA e os regulamentos da Comissão Europeia para as alegações de saúde, o IQWiG alemão para sínteses clínicas.
  4. Referências clínicas e normas — StatPearls/NCBI, a classificação CEAP do American Venous Forum, sociedades de cirurgia vascular.
  5. Fontes de mercado — farmácias e retalhistas portugueses, tabelas de preços de clínicas. Servem apenas para preços e disponibilidade, nunca para provar que algo funciona.

Um princípio atravessa esta lista: quem vende o produto não é fonte sobre o produto. O folheto do fabricante serve para saber a composição declarada, não para saber o efeito.

Provas que recusamos

  • Blogues e sites de conteúdo sem referências.
  • Páginas de venda e "artigos" que terminam num botão de compra.
  • Testemunhos e opiniões de utilizadores não verificáveis.
  • Estrelas de avaliação atribuídas pelo próprio site — encontrámo-las em quatro dos concorrentes diretos e não vamos imitá-las.
  • Estudos citados por quem vende sem indicação de revista, ano e autores.
  • Conteúdo de outro país apresentado como se descrevesse o mercado português.

Assinalamos as lacunas e as contradições dos estudos. Não as escondemos para tornar um produto mais apelativo.

Porque dizemos que a compressão funciona

Porque a revisão Cochrane que consultámos encontrou evidência de alta certeza para a prevenção de trombose venosa profunda assintomática em voos longos com meias de compressão. Esta conclusão tem um objetivo específico; não prova que as meias eliminem varizes.

A revisão Cochrane CD004002.pub4 (Clarke MJ e col., 2021) analisou o uso de meias de compressão em passageiros de voos longos: a trombose venosa profunda assintomática caiu com um odds ratio de 0,10 (IC 95% 0,04–0,25), classificada como evidência de alta certeza. Em números do dia a dia, o risco desce de dezenas de casos por 1 000 passageiros para 2 a 3 por 1 000. A mesma revisão registou redução significativa do edema.

O instituto público alemão IQWiG, que avalia com metodologia equivalente à da Cochrane, descreve a compressão como bem documentada na insuficiência venosa avançada e na cicatrização de úlceras venosas, com um mecanismo conhecido: a pressão externa ajuda as válvulas a fechar e acelera o retorno do sangue.

Porque não dizemos que a compressão "acaba com as varizes"

Porque a revisão que faz exatamente essa pergunta não confirma isso.

A Cochrane CD008819.pub4 (2021) reuniu 13 ensaios e mais de 1 000 participantes para avaliar as meias de compressão graduada como tratamento inicial das varizes em pessoas sem úlcera. A conclusão: não há evidência suficiente para afirmar que a compressão isolada é eficaz nas varizes, nem que um tipo de meia é superior a outro. Em 9 estudos os participantes relataram melhoria dos sintomas, mas com risco de viés — nem sempre houve grupo de controlo.

A diferença entre as duas frases é o essencial desta página.

"Evidência insuficiente" não é "não funciona": significa que os estudos feitos até agora não permitem afirmar. Por isso escrevemos que a compressão é a escolha mais defensável para os sintomas e para prevenir complicações, e não escrevemos que apaga veias já dilatadas. Quem lhe prometer isso está a vender, não a informar.

Porque dizemos que os cremes servem para os sintomas

Porque é isso, e só isso, que os dados sustentam.

A revisão Cochrane CD003229.pub4 (Martinez-Zapata MJ e col., 2020) sobre flebotónicos na insuficiência venosa concluiu, com certeza moderada, que reduzem ligeiramente o edema face ao placebo, com eficácia limitada para os outros sinais e sintomas. A mesma revisão nota que o mecanismo de ação continua mal estabelecido depois de décadas de estudos.

Do lado regulatório, o Regulamento (UE) n.º 1229/2014 da Comissão, baseado no parecer científico da EFSA (EFSA Journal 2014;12(1):3511), não autorizou a alegação de que a combinação de diosmina 300 mg, troxerutina 300 mg e hesperidina 100 mg ajuda a manter a permeabilidade vénulo-capilar normal: o painel concluiu que não ficou estabelecida uma relação de causa e efeito. A alegação de coadjuvante na manutenção do tónus venoso fisiológico foi rejeitada pelo mesmo motivo.

Consequência prática para o que lê aqui: neste site nenhum creme "trata veias". Descrevemos alívio de peso, desconforto e edema, que é o que está documentado, e nunca efeito sobre a parede da veia ou sobre o refluxo. É assim que estão escritas as duas páginas onde isto mais pesa: o guia das meias de compressão e a página sobre cremes e venotónicos.

Fontes em choque 0

Primeiro comparamos o nível: uma revisão sistemática pesa mais do que um ensaio isolado, e um ensaio randomizado pesa mais do que uma série de casos. Depois olhamos para a data — em medicina venosa, uma revisão de 2021 substitui uma conclusão de 2005.

Se a contradição se mantém entre fontes do mesmo nível, não escolhemos a que dá melhor manchete: escrevemos que os resultados são divergentes e mostramos os dois lados.

Um texto que admite incerteza é mais útil do que um texto que a esconde.

Sinal de «por confirmar»

Nem todo o facto útil tem fonte primária. Preços de clínicas, disponibilidade numa farmácia ou uma declaração de imprensa não são estudos. Nesses casos:

  • indicamos a origem e a data da verificação;
  • atribuímos a declaração a quem a fez, em vez de a apresentar como dado estatístico;
  • assinalamos como não confirmado aquilo que não conseguimos verificar numa fonte independente;
  • se não conseguimos confirmar de todo, o dado não entra no texto.

Sem pódio de marcas: os dados ficam com o leitor

Um ranking dá a impressão de uma comparação que raramente existe. Para ordenar produtos seria preciso que tivessem sido comparados entre si em ensaios diretos, e na maior parte destes casos isso nunca aconteceu.

Em vez de um pódio, damos os critérios e os dados: a classe de compressão em mmHg, a composição declarada, o preço por unidade, o que a revisão diz sobre aquela substância. A ordenação faz o leitor — com o seu caso, o seu orçamento e, quando é preciso, o seu médico.

Preço só com data e loja à vista

Um preço errado numa página de saúde não é um detalhe: muda decisões.

Só publicamos valores que vimos na loja, na farmácia ou na tabela da clínica, com a data ao lado. Não copiamos preços de outros artigos e não inventamos "preço médio". Quando um produto não revela a dose ou o preço, escrevemo-lo — a omissão é, ela própria, informação para o leitor.

Data de cada revisão

Cada página mostra a data de publicação e a da última atualização. Revemos os textos quando sai uma revisão nova, quando um preço deixa de estar certo ou quando alguém nos aponta um erro.

Uma afirmação errada ou antiga? Mande-nos a frase, a razão e, se puder, a fonte, pela página de contactos. Corrigimos e atualizamos a data. Um site de saúde que nunca se corrige não está certo: está parado.

Onde entra a afiliação

Se uma ligação tiver afiliação, uma compra feita por esse meio poderá gerar receita para o Pernas Leves sob a forma de comissão. Os termos completos estão no aviso legal.

O preço que paga é o mesmo, e a comissão não altera as conclusões. A página sobre cremes diz que não desfazem varizes, e essa frase mantém-se mesmo quando é comercialmente inconveniente. Se alguma vez uma avaliação positiva coincidir com um produto de que recebemos comissão, será porque a evidência aponta nesse sentido — e as fontes estarão à vista para poder confirmar.

Quem assina os textos sobre veias

Os textos são assinados pela Redação Pernas Leves e assentam nas fontes citadas em cada página. Não usamos nomes fictícios para assinar artigos. Também não atribuímos a médicos textos que eles não escreveram. Quem somos e porque fizemos este site está em quem somos.